sábado, 26 de maio de 2007

Frei Galvão


Na próxima semana, no dia 11 de maio de 2007, o Papa Bento XVI virá ao Brasil para canonizar, segundo costumes católicos, o primeiro "santo" brasileiro, o frade franciscano, de Guaratinguetá, Antonio de Sant'Ana Galvão - 1739-1822. Na linhagem do frade, pelo lado materno, o bandeirante Fernando Dias Paes Leme, o "caçador de Esmeraldas"

"Preciosa é à vista do SENHOR a morte dos seus santos". Salmos 116:15. Este texto bíblico é curioso para mim: ele me faz entender que o processo de santificação ocorre em vida; não depois da morte. E ainda, além de vários outros trechos, podemos selecionar este: "Ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus." Levítico 20:26 - falando especificamente do povo de Israel, recém-liberto do Egito.

Já no Novo Testamento, temos inúmeros outros trechos, como por exemplo: E aconteceu que, passando Pedro por toda parte, veio também aos santos que habitavam em Lida. Atos 9:32; e outro: Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver". 1Pedro 1:15.

Como é possível, uma nação em 500 anos de história que não tenha nunhum "santo" até 10 de maio de 2007? Sou cristão - um seguidor de Cristo, mas por outras características, já fui católico, graduei-me em faculdade de jesuítas, mas hoje sou protestante. Tenho, portanto, entendimento das duas correntes cristãs o bastante para discordar do processo de santificação da igreja de Roma. Certamente, existem milhares e milhares de pessoas católicas no Brasil, tanto vivas quanto já passadas que foram ou são homens e mulheres virtuosos.

Se apenas Frei Galvão é o Santo brasileiro, como estarão os outros que já morreram - se Cristo voltasse a terra na semana que vem? Não sou juiz de religião alguma, mas que isso é muito incoerente, é! A principal característica para ser salvo é a fé em Cristo. Ao receber Cristo pela fé, somos declarados santos, isto é, separados para produzir frutos de justiça para Deus. A segunda característica daquele que foi salvo por Cristo - é um processo de santificação contínuo.

"E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo". Efésios 4:11-13.

Como pode ser santo e ainda passar por um processo contínuo de santificação? Não existe paradoxo algum nisso. Quando aceitamos Cristo como Senhor de nossas vidas e Salvador de nossas almas, trocamos de senhorio e de posição. "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." João 8:36. Sai o maligno e entra o Espírito Santo. A santificação é também progressiva porque nossos antigos hábitos, costumes e tradições precisam ser modificados, melhorados. Se quem está em Cristo nova criatura é, então a medida que o santo ouve a palavra de Deus e descobre que não está de acordo com ela - procura se corrigir.

Por essas razões tão simples, creio que a canonização de Frei Galvão é apenas política. Não posso concordar que exista apenas um santo no Brasil em 500 anos, entre mais de 200 milhões. E, por outro lado, isso abre ainda mais o abismo teológico entre católicos e protestantes, pois não concordamos com políticas que incentivem idolatria.


autor: João Cruzué


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2 comentários:

Marco Munis disse...

Cruzué: Santo só tem o Senhor Jesus. Todos os outros, em todos os tempos e lugares são santificados, isto é: tornado santos, unicamente pela Graça do Senhor Jesus.

João Cruzué disse...

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Obrigado pelo comentário. Mesmo assim, um santificado católico em 500 anos é difícil de compreender quanto à abordagem espiritual.